28 de julho de 2008

Apenas um Curumim



Ele havia crescido entre as arvores e os outros curumins. Vivia alegre na tribo onde nascera, correndo atrás de acas entre as ocas da aldeia. Aprendera que nenhuma àrvore deveria vir ao chão sem um motivo, e que nenhum animal devia ser morto sem que se tornasse alimento ou oferenda. Corria, pulava, e sonhava um dia em ser o Guerreiro mais forte da tribo, assim comogrande parte de seua amigos.
Um dia, porém, homens brancos, caraíbas, invadiram sua aldeia. Machucaram suas mulheres, agrediram seus indios mais sabios e mais velhos, e mataram cruelmente os Guerreiros que tentaram proteger suas famílias. O homens brancos disseram que a terra, que os indios tinham cuidado, respeitado e amado por decadas, era deles. Alguns curumins se esconderam na floresta. Estavam todos assustados, chorosos, com medo. E quando ouviram aqueles galhos estalando, sob passos, correram. mas ele não. Ele ficou. Se queria ser guerreiro, ficaria ew enfrentaria o que quer que fosse. Dentre as àrvores, surgiu uma mulher. Alta, magra, loira... Branca. Tão diferente das mulheres de sua tribo! Ela estendeu-lhe os braços, com um semi sorriso. Ele a encarou. E viu que não havia maldade naqueles olhos, por mais claros que fossem. Correu para os braços dela.
Ela levou-o a uma aldeia graaaande, com arvores diferentes, imensas, assustadoras. Chamava-se Cidade. Ele cresceu, aprendeu a chamar a mulher de mãe, descobriu o novo idioma, estudou nas melhores escolas. Era inteligente, elogiado, aprendia rapido qualquer ofício. Fez faculdade, tornou-se arquiteto. Era um homem de respeito e de posses. Mas sentia que faltava algo.
Decidiu voltar pra suas raízes, e viajou de avião para a floresta onde nascera. Os passaros não o saldaram, porque ele se esquecera de qual assovio chamava qual passaro; No rio onde se lembrava de peixes fazendo-lhe cócegas nadando entre seus joelhos estava poluído, e não havia mais peixes; O lugar onde havia as ocas, agora era "lar" de uma madeireira. E então, ele caiu de joelhos,e chorou. Chorou porque entendeu.
Crescera como um caraíba, tornara-se respeitado. Mas o índio dentro dele não crescera. Continuava sem os ensinamentos, sem os valores que só aprenderia dentro de sua tribo. O índio dentro dele se afastou, então... E, sem entender porque de repente teve que deixar de crescer, porque tivera que mudar todas as suas crenças, se foi.
Ele derramou então todas as suas lágrimas. As lágrimas por se lembrar de tudo.
Ele era apenas um Curumim.

4 comentários:

Daniele V. disse...

Uma representação de que o mundo dá voltas...

P.S.? Tem MEMe pra vc lá no blog1

Maria Fernanda disse...

Teus contos são fantásticos...

Mandy disse...

Lindo , Aline !

Holly disse...

Lindo texto!
Mexeu com meus sentimentos. Sou descente de índios. Uma curumim....
Bjs

Postar um comentário

Anote aí.