9 de julho de 2008


Pessoas iam e vinham, pisando a grama que recobria o lugar. Todos traziam no rosto uma expressão de saudade e dor. Nenhuma mais sincera e sentida que a daquela mulher. A dor dentro dela estava explícita em cada linha de seu rosto. Só ela sabia quantas lágrimas já haviam caído... Jamais acreditara que poderia chorar tanto. Ela continuou andando, com o rosto baixo e os pensamentos distantes. Já não precisava olhar o caminho, seus pés já o haviam feito tantas vezes que ela ia quase instintivamente. Nos últimos dois meses, aquele lugar havia sido sua espécie sombria de santuário; fora dele, todos condenavam sua dor. Todos diziam que a vida devia continuar. Ela não acreditava mais nisso. Não mais.

Já havia sidfo a pessoa mais feliz do universo. A mais amada, a mais querida, a mais bonita. Já havia feito tantos planos, tantos! E agora... Agora a vida lhe pregava tal peça. Oh, destino cruel!

Uma lágrima perolada caiu e rolou pelo rosto abatido. Ela abaixou-se para olhar mais de perto aquela placa de pedra que já havia visto tantas vezes. Lembrou-se do sorriso dele. Das palavras. Das idéias e dos sonhos. Do toque e... Dos planos que haviam feito juntos. Outra lágrima caiu. E depois outra. E outra. E outra.

- Você prometeu que nós três seríamos felizes! E agora... Agora ele vai ser impedido de conhecer o pai brilhante que você seria...- foi o sussurro rouco que saiu de sua garganta. Ela tocou a lápide com a suavidade com que sempre tocara seu rosto. - Você prometeu que estaria sempre comigo... - Ela não conseguiu mais falar. Não haviam inventado ainda algo que definisse sua dor.

O vento, gelado como aquela lápide, tocou de leve os cabelos dela. Quando ela se levantou e quis tentar seguir sua vida.

7 comentários:

Menina Bonita. disse...

Poxa! Senti arrepios.
Tão dificil falar e ler a morte.
Sempre fico pensando em tudo..sempre sinto arrepios.
Mas a sua história me lembrou uma verdadeira,que li em um blog..

Beijos :*
Vc escreve lindamente..até quando se trata da questão delicada da morte..

Patrícia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Patrícia disse...

Que triste!!!
Lindo, porem triste...
É dificil lidar com a morte neh, acho que estamos preparados pra tudo menos pra ela...

Tem presentinhos pra ti no Doce Cantinho, passa la!

Beijos

Ana Baldner disse...

Que conto triste... é muito dificil esse tema... nunca esperamos que vai acontecer conosco...

bjs

~Camila~ disse...

Paraááá eu me arrepieiii...
nooossa que triste!

De onde veio essa idéia!? =/

BEIJOOO

Ni ... disse...

Ah Aline, quantos de nós já vivemos a dor da perda de alguém que amamos tanto quanto a própria vida... Que bom ela levantar para reencontrar a alegria de viver...

Beijo e mais beijos...

PS: Adorei o nome template ;-)

JOICE WORM disse...

Aline, vc me fez lembrar de um funeral que fui. Não vou a muitos, mas este, não sei porque, fiquei completamente condoída juntamente com a mãe que perdeu seu filho por causa de uma doença generalizada.
Estive lá e vivi o drama dos pais. Assisti a missa antes e fiquei completamente absorta da vida. Questionei-me sobre o sentido dela e quase não aguentava o sentimento.
Os pais entraram em depressão profunda. Durante cinco anos não mudaram a cara. Sempre triste. Se descuraram da educação dos outros dois filhos que tinham e hoje um já está cego das drogas que consumiu após a morte do irmão...
Dá o que pensar, Aline. A morte não é bom de sentir, para quem fica, mas também não é bom se entregar à ela em vida.
O auto-controle serve para nos por de pé e continuar... Belo post!
(Há tempos que não venho aqui e já tinha saudades de ti. A nova performance também está espectacular!)
Muiiiiiiitos beijos para ti, da Joice.

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