15 de agosto de 2008

Epitáfio

Digam que morri devagar, que me matei a cada dia. Contem que primeiro matei minhas ideias, depois meus sentimentos, pois respeitar um dos dois seria trair ao outro.
Digam à todos que morri de forma lenta, e que dolorosamente segui meus dias em direção ao abismo.
Sim, o abismo. Aquele que eu chamei de crise.
E digam que o avisei. Que contei desse buraco negro onde caí, que pedi a unica ajuda que precisava, e que ele se negou sequer a se importar.
Que conste que foi por ele. Digam que definhei na frente de todos, que murchei e entristeci. Conte que todos notaram, menos quem podia ajudar.
Digam que aos poucos perdi meus sorrisos, e que acabei por perder o encanto que ele trouxera. Contem de minhas lagrimas, e não permitam-se esquecer dos sonhos e dos planos que morreram comigo.
Lembrem das coisas que renunciei, e saibam que perdi tudo em troca de algumas palavras doces. As mesmas que perto do fim desejei desesperadamente e não tive.
Contem que quis dormir pra sempre. Que minha vida tornou-se um vale de sombras tristes, com nuvens de lagrimas caindo sobre ele a cada instante. Contem que eu fui fraca, e que perdi tudo o que queria e precisava.
Digam que minha maior dor era também minha unica cura.
E que conste em minha lápide:
"Ela morreu de amor"



"O que voce faz quando a unica pessoa que pode te fazer parar de chorar... É justamente o motivo das lágrimas?"

5 comentários:

Olirum disse...

Texto profundo e perfeito como sempre hein?

Bom fds
bjs

Daniele V. disse...

Eu fui ao inferno e voltei. Morri de amor e ressussitei como uma fênix.

F. S. Júnior disse...

que triste... muito triste...

Olirum disse...

tem presente pra vc no meu blog, no post "sem graça"

Patrícia disse...

Ai que saudade daqui!!!
E quando venho acho esse texto triste... espero que não seja verdadeiro...

Beijão grande

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