20 de agosto de 2008

Sorriso de leite

Era um sujeito alto, forte. Com o rosto quadrado e a barba por fazer, tipico de galãs mexicanos. Olhos escuros, pele morena. Musculos fazendo-se perceber por sobre a camisa polo, sem no entanto atrairem tanta atenção. Mas chamavam. Não pelos cabelos negros e ondulados, muito bem penteados. Nem pela beleza miteriosa e fascinante. Nem mesmo pela expressão de "Não se aproxime" no rosto dele. Chamava atenção pela imensa mochila de Ursinho Pooh que trazia nas costas, e pelo coelhinho de pelúcia rosa em sua mão.
À princípio, as pessoas não entendiam a contrariedade da cena. Claro, um sujeito másculo e belo carregando algo tão feminino.... E em seguida passavam por ele. E viam.
Alguns metros à sua frente, perseguindo borboletas, estava uma garotinha. Pequena, frágil, linda. Uma criança doce, inocente e graciosa como todas as crianças de 3 anos deveriam ser. Corria, sorria, gritava, pulava. E em seguida olhava pra ele. Parava um pouco, e, com seus olhos de mel focalizados nos dele, dizia entre outros sorrisos:
"Segula meu Coelo mais um poquinho, papai!"
E todos então, podiam ver brilhar, nos olhos daquele homem, a chama do amor mais puro e fraternal que um homem pode sentir. A chama de um amor que brilhava inclusive no sorriso dele, e que fazia com que ele não se importasse em carregar um imenso urso laranja nas costas.
Ele só queria e conseguia ver aquela coisinha de meio metro, sorrindo pra ele aquele sorriso de leite.

Um comentário:

Daniele V. disse...

Conto com aroma de infância e gosto de morango. Desfruto com gosto. Adoro fazer parte disso aqui!

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