28 de junho de 2009

Sonho e Sol

Eu sempre soube, assim que vi. Eu não cabia nos sonhos dele. Mas eram sonhos tão lindos... Fascinei-me por eles e prometi pra mim mesma que eu me forçaria a servir.
Malhando (-me) um pouco, perdi uns bons quilos de planos meus. Sem eles, eu quase coube no sonho que eu queria, mas ainda não era suficiente.
Então, parei de ingerir esperanças novas, dessas que engordam as idéias, e com isso reduzi bastante as calorias de ilusões bonitas que eu tinha. Sacrifiquei mais alguns sentimentos aqui e ali, e consegui. Meio apertada, um tanto quanto desconfortável, mas eu finalmente coube no sonho dele.
Esses sonhos caíram-me quase bem. Doíam um pouco, eu sei. Às vezes se tornavam muito pequenos, e eu tinha que me curvar dentro daquela fantasia, eu tinha que me encolher mais e mais pra não deixar de ser parte do sonho que eu tinha escolhido.
E de vez em quando, confesso, me batia uma vontade louca de jogar tudo pro alto, e ter um monte de esperanças novas no café da manhã, humm! Vontade de engordar as minhas idéias todas, entende? Mas eu sempre me contive. Me mantive menor do que eu era, pra caber no dito sonho.
Se começava apertar muito, eu jogava fora uma das minhas idéias, e por um tempo ficava mais confortável. Mas logo doía de novo e lá ia eu jogar outra boa idéia pra fora de mim.
Mas então as dores se tornaram insuportáveis. Todos ao meu redor me disseram que aquele sonho era insensato, que estava me fazendo mal. E eu mesma percebi, também. Se eu continuasse me forçando a ser aquilo, acabaria com marcas dolorosas demais, que possivelmente nunca deixariam de doer em mim. Eu pensei em quantos planos meus eu tinha perdido, e quantas ilusões gostosas eu me privara de ter. Com a última idéia que me restara, eu despi aquele sonho.
E me vi livre, grande, forte, e fartei-me de esperanças doces e lindas, que me faziam sorrir por horas...! E sorri muito, e cantei muito, e ouvi muitas músicas... Me vi um pouco amedrontada também. Ainda andava um pouco curvada, resultado do tempo todo em que eu me havia encolhido num sonho menor que eu. Tive medo, amigos, de nunca mais conseguir andar erguida.
O sonho antigo chamou-me. E parecia um sonho tão triste agora que eu já não estava lá... O sonho contou-me que já se havia acostumado comigo, que juntos eramos um só. Mas só eu sabia o quanto doía em mim espremer-me ali, e quantas lágrimas e sacrifícios eu fiz pra caber. Só eu sabia o quanto o sonho se recusara a moldar-se ao meu tamanho, e pelo contrario apenas me exigia menor e menor... Só eu havia contado as minhas lágrimas, e só pra mim elas tiveram importância.
Me vi face às promessas do sonho de tentar se adaptar dessa vez, aos pedidos de continuar por perto. E por um outro lado haviam as minha novas esperanças tão lindas, tão intensas, tão reais... Eu já não queria mais deixar de experimentar tudo, entende? Eu queria engordar de novo todas as minhas idéias, retomar os meus planos e criar os meus próprios sonhos. Encontrar um sonho novo que aceitasse o meu tamanho.
O Sonho antigo esperava uma resposta, aflito. E a Esperança nova e linda também se apresentava ali, em contra-peso, como um raio de Sol contra a minha escuridão.
Se eu me metesse de volta naquele sonho, eu não poderia mais ter o Sol, pois provavelmente estaria me encolhendo outra vez, e me fazendo tão pequena que o Sol acabaria por ocupar-se de outras coisas, de coisas maiores... E o Sol me fazia bem demais pra eu desistir assim.
Pareceu-me tão óbvio... Pareceu-me tão certo...!
Alguém consegue me explicar por que então é que eu escolhi o que não queria...?

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Nota maior que de costume, dessas que eu precisava escrever.

8 comentários:

Claudinha =) disse...

Tadinha...Ficou encurvadinha depois disso...rsrs

Amei esse texto!! Enquanto eu só consigo fazer piada até com coisa séria, você consegue fazer poesia até com dor! *-*

Meu ombro tá sempre aqui. E se precisar de qualquer tipo de ajudinha, pode contar sempre! ;)

Felipe Braga disse...

A nota não está grande, Aline. Está do tamanho ideal para passar teus sentimentos. Eu sou o mestre em assassinar sonhos. É a tal da inconstância, que cada dia me dá um novo. Agora... não é tarde para alargar os teus sonhos mais uma vez. Transformá-los em verdadeiras montanhas coloridas, transformando-se em realidade.
Beijos.

Iris Gimaiel disse...

Que lindo esse texto.
As vezes nós fazemos sacrificios grandes demais para sonhos que nem sempre são os certos, nos machucamos por causa disso e tudo mais.
Nós devemos ir atrás de sonhos que fram feitos sob medida para nós! (:

Karina disse...

Olá Aline!

Sou uma das colaboradoras do blog Apenas Clarice Lispector e vim agradecer por estar acompanhando o nosso trabalho!
Em breve teremos novidades, o blog está sendo reconstruído!

Beijos!

Cleiton disse...

Mas você pode muito bem manter o sonho antigo e ir criando novos sonhos. E lhe digo isso porque te conheço bem.

Maria Fernanda disse...

Suspirei. Chorei.

A frase final poderia ser minha.

Olavo disse...

Lindo e verdadeiro!
Sei como chorar um amor perdido.
Um abraço

Ni ... disse...

O sem lógica que rege a lógica da vida...

Amei este texto... mesmo, mesmo...!!

Impossivel não se identificar...

Beijo e mais beijos menina linda...

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