22 de julho de 2009

Sem armas

Ele já sabia o que e como iria fazer, afinal faria o mesmo que fazia quase todos os dias. Já havia passado quase toda aquela manhã encostado naquela parede isolada da estação de trem, somente observando as pessoas, em busca da vítima certa. E parece que havia encontrado.

Jovem, um sorriso distraído, carregava uma bolsa e estava um tanto quanto arrumada. Parecia estar indo pra algum lugar, obviamente teria dinheiro. Melhor que isso: era pequena, do tipo que não saberia se defender muito bem. Não teve dúvidas, era ela. Aproximou-se, já pensando na história que contaria. Sim, porque a história era fundamental no plano. Devia comovê-la, dizer que “tinha cinco irmãos doentes e era órfão de pai, mãe e avós”, ou contar que “estava desempregado e tinha 15 filhos pequenos pra criar sozinho, porque era viúvo” ou algo do tipo. Devia fazê-la acreditar nele, para que, ingênua, pegasse a carteira. Aí seria o momento de agir: pegaria o dinheiro das mãos dela violentamente, e sairia correndo. Ela ficaria tão sem armas, que antes que se recuperasse do susto, ele já teria sumido da vista.

- Bom dia, moça! Desculpa te pedir isso, mas é que tenho uma doença grave, e não tenho dinheiro pra ir de ônibus pro hospital. Tenho irmãos menores, estou desempregado, minha mãe está doente e meu pai está preso... Será que você não teria aí qualquer moedinha que me ajudasse moça? Nunca vai te fazer falta me dar uma moedinha...

Ela sorriu comovida, e ele pensou que aquela tinha sido mais fácil que sempre. Tirou do bolso uma moeda e colocou nas mãos dele. Em seguida, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ela deu-lhe uma abraço leve, e disse com um sorriso comovido, segurando-lhe uma das mãos:

- Não se preocupa não, tá? Tudo vai melhorar, o senhor só precisa ter fé. Deus te abençoe, viu? Tenha um bom dia! Tchau!

Ela sorriu de novo e acenou pra ele antes de se afastar. Ele ficou tão sem armas, que, antes que se recuperasse do susto, ela já tinha sumido da vista.

Em 26/08/08

8 comentários:

André disse...

Ele ficou tão sem armas, que, antes que se recuperasse do susto, ela já tinha sumido da vista.

Erica Maria disse...

Ah, lindo texto Flor!

* Qto ao meu cachorrinho já estou bem melhor, so ficou a saudade!

Bjos!

Felipe Braga disse...

Que lindo, Aline!
O que uma atitude bonita é capaz de fazer, não é mesmo?

Maria Fernanda disse...

isso Aline,
bem como tu comentou no blog

[volto mais tarde para ler teu post]

;*

Hosana Lemos disse...

...a importância dos pequenos gestos!
^^

bem criativo!
^^
bjão

Laura disse...

XD ja li isso.
mas é muito bom.

Maria Fernanda disse...

Amada,
amanhã pela manhã o texto que dará início ao post coletivo estará postado.

Você será a primeira a postar, logo depois de mim, e narrará aquilo que tu leu para que o Antônio possa dar continuidade à brincadeira. Ele irá contar o que leu no teu blog.

Espero a brincadeira saia certinho. Heheh

Beijão

Gabriela M. disse...

incrível como tem vezes que a gente sai na rua, e um alguém completamente desconhecido muda todo o nosso dia.

acho tão precioso um momento assim;

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