19 de agosto de 2009

O menino que queria o céu.

Ninguém sabia dizer com certeza como aquilo começara. Mas aquele menino era apaixonado pelo céu. E se alguém lhe perguntava: “Desde quando?”, ele respondia: “Desde que eu me lembro”. Alguns diziam que tanto isso era verdade, que o primeiro sorriso que ele dera fora na saída da maternidade, quando os olhinhos recém formados viram o céu pela primeira vez.
Quando criança, subia em árvores cada vez mais altas, pois gostava de sentir-se sempre perto das nuvens. Queria voar, brincava de ter super-poderes, e pulava os últimos degraus da escada, para ter breves segundos de vôo. Certa vez, pouco antes de adormecer, sorriu para a mãe: “Um dia eu durmo numa nuvem, mamãe”.
O menino cresceu, tornou-se rapaz, e continuou amando o céu. Alimentava, ainda, o sonho de voar. Às vezes desanimava, sabia ser um sonho difícil, mas a paixão era muita, e ele via-se obrigado a tentar sempre.
Mantinha os olhos sempre no alto, fixos no objetivo. Era alheio à todo resto que se passava em volta. Agia em nome do sonho, e quase nunca pensava em outra coisa. Tinha um medo quase absurdo de perder o céu de vista.
Acontece que certo dia, por um descuido, o garoto baixou os olhos, por breves segundos. Seus olhos foram de encontro à outros olhos, que por acaso ou destino, passavam por ali, justamente naquele instante. Eram olhos castanhos, de um brilho que lembrava as estrelas que ele queria ter. A dona dos olhos lhe sorriu um olá, na voz escondeu-se uma carícia, suave como uma das brisas que ele gostava de sentir. Quando deu-se conta, voltou os olhos para o céu, assustado, temendo tê-lo perdido. Percebeu ser tarde demais. Até o céu, agora, lhe lembrava a moça dos olhos de estrela...! Pegou-se pensando nela. Teria a pela da moça a maciez de uma daquelas nuvens...? Teria ela a personalidade e a força que ele via no céu? Sentiu-se confuso. Sempre precisara do sonho e só. Que necessidade era aquela, agora, de descobrir todos os segredos da moça, um a um...? Aproximou-se. Dividiu com ela histórias e gostos. Eram tão parecidos que assustava. A moça também amava o céu, e eles permaneciam horas discutindo sobre o pôr-do-sol, a Lua, a Chuva, as estrelas... Logo ele teve certeza. Pertencia à ela, e ela era dele.
O garoto ainda amava o céu. Mas via um pouco de céu nela. Adorava as estrelas que ela trazia nos olhos, a suavidade de nuvem que ela aparentava, e quando ela chorava ele sentia chover, e se esforçava pra fazer brotar um arco-íris no rosto dela. Tinha toque de brisa, sorriso de Sol, pele de Lua. Não podia mais viver em paz, e sequer poderia voltar a perseguir seu sonho, se não tivesse as mãos dela pra segurar. Lhe agradava a idéia de infinito que via no céu, e era isso que queria ter ao lado dela: infinitude. Quando ela lhe pergunta por que foi escolhida, ele sorri a resposta:
- É que com você junto, eu sinto que posso mesmo voar.
Os olhos da moça só têm estrelas com ele. E o garoto, que queria o céu, só se sente nas nuvens na presença dela.

[04/2006]
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Revirando o baú, tirando a poeira dos cadernos antigos e (re)encontrando tesouros meus, que ganharam significado novo.

8 comentários:

Maria Fernanda disse...

Você devia revirar o baú mais vezes, moça.

Beijo

Vanessa. disse...

Nossa, que coisa mais linda.
Absurdamente linda, que nem o medo de perder o céu de vista.


Eu sou mais uma apaixonada pelo céu.
Acho até que já encontrei uma mão pra segurar...
Falta só segurar nela ^^


Beijo, bonita.
:*

André disse...

Aí foi mal, mas já tinha lido... KKKKKKKKKK!

^_^'

Felipe Braga disse...

Gostei, o blog tá de cara nova! rs
Gostei muito também do texto, sempre genial com as palavras.
Parabéns.
Beijos.

dani disse...

Q fofo.
Lindo q nem o novo visual do blog!

bjinhos

Aline Gianasi disse...

Que delícia de texto, Li.
De nuvem todo. E de luz.

Eloisa disse...

Bonito, bonito Aline!
Mudou as coisas por aqui, eu gostava tanto do azul. :x

Ítala disse...

Que cronica bonita e inspirante!
quem de nós não procura um ceu iluminado desses, coberto por estrelas encantadoras que nos sorri a cada passo?

Adorei mesmo!
parabens

BjOs

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