11 de janeiro de 2010

02:55am;

O espelho me mostrou uma estranha, e por mais que eu olhasse fixamente não me reconheci. No rosto havia uma expressão tola e triste, de quem lutou contra si mesmo e não quer admitir que perdeu. Ao menos isso eu reconhecia, enfim. Teimosia e orgulho demais, me cegando, me impedindo de aceitar minhas derrotas. Talvez por isso eu não me visse mais naquele espelho. Eu era meu grande projeto, e falhara. Um projeto fracassado, dolorido, recolhendo cacos. Meu coração é Frankenstein, feito de sentimentos e dores costurados um no outro, aleatoriamente. Boneca de trapos, remendos. No fim, eu não queria me reconhecer. Pelo espelho eu vi duas lágrimas escaparem dos meus olhos, lentamente. Vieram tímidas, como se pergutassem se eu faria algum esforço para contê-las. Não fiz. E logo vieram outras, e mais outras, como que encorajadas, como se as primeiras lhes tivesse aberto o caminho. Pelo espelho eu vi uma cascata correr por meu rosto, mas logo a imagem embaçou e eu baixei a cabeça. E então se passaram minutos longos demais, eternidades, frases e dores se repetindo em minha mente sem parar. Algo doía em mim. Algo tinha se partido dentro do meu peito, e estava em pedaços tão pequenos que eu quase não soube dizer o que era. Outro remendo pra boneca de pano. Uma dor nova pra compor meu coração-Frankenstein. Enxuguei o rosto. Dei as costas pro espelho.
Seria assim, então. Sem sonhos, sem promessas, sem esperanças. Viver sem futuro. E assim renegar tudo que ainda houvesse de legitimamente meu em mim. Portanto, o espelho não faria sentido.
Enquanto eu viver assim, não me encontrarei por lá.

"Pra voce não esquecer que eu tenho um coração,
 que é seu."
(A. Carolina - Nada pra mim)

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