6 de janeiro de 2010

- Está triste?

Pensou uns segundos.
- Não.
- Tem certeza?
Bem, triste ela não estava mesmo. Pensativa, com certeza. Mas triste? Não. Triste não. Achava bonito o modo como ele lhe percebia as mudanças de humor, mesmo as mais leves. O dia tinha sido longo, e a dor de cabeça de mais cedo ainda a atormentava. A noite havia sido mal dormida também, mas, enfim, não se pode ter tudo. Esses aborrecimentos eram por demais pequenos se comparados às dadivas que tinha em sua vida. Desanimada, então? Sim, provavelmente era isso, desânimo.  
Estava um tanto entediada. O tédio não a fazia nada bem. Havia algo no ócio que lhe tirava todo o humor, que lhe impedia os risos todos. E havia, ainda, a saudade. Ah, essa sim doía. Talvez fosse isso, então. O ócio evidenciava a saudade. Triste? Não. Estava um tanto carente, apenas. E não achava justo dizer abertamente. Não quando sabia que contar apenas o deixaria preocupado; não quando ele tinha as próprias saudades pra suportar. A carência ficaria ali, quietinha. E assim que pudessem, matariam as saudades. E então, não teve mais dúvidas. Respondeu.
- Tenho.

4 comentários:

Felipe Braga disse...

Acho que um sentimento forte acaba por compartilhar os tédios, os desânimos... Só a saudade que não.

Sempre doce, você, Aline.

Beijos.

sobrefatalismos disse...

Tristeza é mesmo um estado de espírito. Eu confundo tanto isso com saudade...

sobrefatalismos disse...

Tristeza é mesmo um estado de espírito. Eu confundo tanto isso com saudade...

Ítala disse...

já me senti assim inumeras vezes...

mas ainda hoje, me faço sentir assim só pra poder roubar mais ainda a atenção dele acompanhado com um abraço beeem forte!

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