22 de março de 2010

detalhes;

   A gente pensa que se adaptou, que já não sente tanto, que o pior já passou. A gente acaba achando que superou, se convence de que foi tudo melhor assim. Mas aí vem um sorriso, um assovio, uma camisa de cor igual, um encontro no mesmo lugar. Vem sempre um detalhe que traz tudo de volta, que faz doer tudo de novo. Qualquer coisa que traz pra perto tudo que foi pra longe tão de repente. E a gente percebe que não, não passou. Que ainda dói, e que a saudade está ali, exatamente igual. Doendo exatamente do ponto onde a gente parou de dar atenção à falta. E eu fico aqui me perguntando se um dia vai passar. Se um belo dia qualquer eu vou acordar e estar plenamente recuperada, se eu ainda vou ter tempo, de curar a saudade toda.
   Pensei ter visto hoje o sorriso bonito de um moço que eu queria por perto sempre. E ouvi, ontem, a voz de uma prima minha que me faz muita falta, mas quem disse foi outra menina, de idade e de olhos iguais. Um pouco antes, um senhor me perguntou as horas, exatamente no mesmo lugar onde o meu avô me encontrava todos os dias com um sorriso e um "vá com Deus". A casa deles ainda está aqui; já sem o cheirinho de café fresco todas as tardes na volta pra casa, mas ainda aqui. Os domingos não são mais os mesmos.


E eu, que achei que tinha superado...!


"Saudade é quando o tempo 
quer sair da lembrança pra 
acontecer de novo
 e não consegue."
(Adriana Falcão)

4 comentários:

Sonia Pallone disse...

Quando paro por aqui, não dá vontade mais de sair...Adoro suas postagens. Bjs.

Ester Emanuelle disse...

Sempre me identifico com suas postagens... Sou sua fã. Bgs rç

Vanessa. disse...

Sempre os detalhes.
E como custa fingir que eles não existem...


:*

Felipe Braga disse...

Pois é, Aline.
Dia desses, a saudade me bateu com força ao ver a cena de uma novela, parecida com uma cena da minha vida real.
Dói.

Bonito teu texto, teus sentimentos.

Beijos, Aline.

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