18 de junho de 2010

Ignorem.

Eu só queria contar pra alguém que tem um nó na minha garganta que tem me impedido de cantar. Que ele dói cada vez que eu respiro. E que por isso eu tenho tomado água, e remédios, e comprimidos, pra ver se alguma coisa, de algum modo, me alivia. E eu tenho chorado um bocado, mesmo que eu não tenha dito nada a respeito. Quero contar do abraço no travesseiro e das lágrimas que correm no mais absoluto silêncio dessas noites geladas aqui de São Paulo. E confessar que os dias têm sido tão frios quanto, mesmo quando o Sol aparece, e que por isso eu desconfio que eu é que esteja fria. Contar pra alguém desse vazio tão dolorido que eu tenho sentido, contar de mim cabisbaixa, da falta de apetite e de sonhos, dos meus medos todos. Pedir desculpas por estar exigindo tanto, por precisar de tantas certezas e repetições. E também por de algum modo atrapalhar planos, por me intrometer, por insistir, por fazer questão de estar mesmo quando já não sou necessária. Por não poder resolver quase nada sequer na minha própria vida. Queria explicar que sim, eu estou tentando, que tenho feito de tudo pra me aceitar como sou, mas que isso tem sido cada vez mais difícil, já que tão pouca gente tem me aceitado, e já que tanta coisa me dói ao mesmo tempo. Contar do imenso medo que eu tenho de me expor assim, do quanto fico aflita, do modo terrível que eu me sinto com a mera possibilidade de perder, de novo. E dizer por fim que eu não espero que ninguém me cure, que não acredito mais que alguém deva se importar. Contar que essas palavras vieram de uma única vez, correndo junto com o choro, e que não tem pretensão nenhuma de fazer bonito diante dos olhos que por aqui correrem.
Ainda pulsa, e ainda dói.
Ainda há chances. E esperanças.
Espero.

Está tudo bem agora.

5 comentários:

Mariana Amorim disse...

Um texto tão profundo como este é impossível de ser ignorado.

Gabih Dias disse...

(mais) Um texto que também me traduz.
Quando a gente tem essa insegurança, é difícil acreditar que podem, sim, amar a gente, mesmo com todos os defeitos que a gente tem. Difícil acreditar que podemos ser indispensáveis na vida de quem também faz falta pra gente. Mas, de alguma forma, somos. Talvez seja algo que temos e não conseguimos enxergar, só porque nascemos com a visão ofuscada para as próprias qualidades.
Acredita, Sócia. Acredita que você tem muito do que possa se amar.
Um beijo.

Ítala disse...

é... essas dores de garganta que vem sempre acompanhadas de muita dor de cabeça...

o melhor remédio é acreditar em você mesma e que vc é capaz de mudar o rumo do caminho que vc está seguindo... porque somos nós que escrevemos a nossa história, basta você pegar o lápis e papel, e decidir se vai ser um final feliz ou não.
[não esqueça da borracha também, vai usá-la muito!]

Beijos, melhoremos.

Anônimo disse...

triste mas bonito.Pelo menos esse nao eh sobre a mesma pessoa

Cleiton Souza disse...

Um pouco de mel ajuda melhorar a garganta e tudo mais =]

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