10 de julho de 2010

"Não existe primavera sem teus beijos" *

Cada vez que ele precisa ir embora eu fico assim. Depois de um tempo eu quase acostumo, mas nesses primeiros dias eu invariavelmente acabo vendo tudo nessas escalas de cinza, olhando em volta como se me faltasse um pedaço, como se o procurasse em cada um dos cantos. "Como se me faltassem os óculos", como ele mesmo me disse uma vez. É que eu sempre acho que ele vai poder ficar mais um dia, mais uma hora, mais dez minutos... Mais o tempo de um abraço, mais o espaço de um beijo, talvez possa ouvir um "eu te amo" e dizer "eu também" só mais uma vezinha...! É que quando ele vem eu me sinto mais completa, e a despedida é como um choque. E cada pedaço de mim reage desse jeito, gritando que me falta alguma coisa, que algo bom que estava aqui não está mais. E correm por mim esses sinais de alerta, meu coração aflito me exige explicações, e eu apenas peço calma. Não há nada pra explicar, coração, se acalme. O último beijo tem sempre um gosto diferente, como se até a boca já soubesse que é o último, e se negasse a se afastar. Eu nunca estou pronta pra me despedir, nem quando acho que estou. Sempre dói de novo. Dói daquele jeito que a gente pensa que não vai aguentar. Mas que sempre aguenta. Sempre ergue a cabeça, respira fundo, e espera. Logo ele volta, coração. Trate de se acalmar.

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(*Até logo, meu amor - Mafalda Arnauth)

[/drama]

2 comentários:

Ni ... disse...

E é tão bom quando ele volta...

Ítala disse...

ai, sinto-me igual quando meu moço vai embora...

mas o bom é que eles sempre voltam
^^

Beijos, boa semana.

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