20 de julho de 2010

Para a melhor professora que eu tive

Olá, professora! Como vai?
Eu finalmente trouxe os seus livros de volta. Então, antes de mais nada, peço desculpas pela demora - a vida pré-adulta é tão cheia de afazeres...! Queria agradecer o empréstimo. Li mais de uma vez cada um dos três livros (aliás, me apaixonei pelas crônicas de Sabino!).
Devo admitir que foi um tanto reconfortante ter livros seus em minha companhia nesses últimos tempos. Época confusa, essa de transição, não é? Um ciclo foi fechado em minha vida, e ter esses livros comigo me ajudou a lembrar das pessoas incríveis que eu achei pelo caminho. Esses livros me arrancaram muitos sorrisos, e os devolvo pra senhora com um bocado de amor extra depositado. Pode procurar, professora, deixei muito afeto entre as páginas dos seus livros, que já chegaram às minhas mãos tão cheios de carinho e cuidado seu. A senhora não faz idéia do que eu senti quando me disse no corredor da escola que tinha trazido todos os livros que achava que eu ia gostar de ler pra me emprestar (dois deles caíram no meu vestibular, eu cheguei a te dizer?)! Difícil foi trazer os sete pra casa! E então eu fui lendo um a um, até sobrarem só esses três aqui em casa. Adiei tanto pra devolver... Acho que eu tinha um pouco de medo de perder o vínculo com a senhora. Sabe, professora, eu consegui entrar na faculdade! Ganhei aquela bolsa de estudos que tinha comentado com a a senhora, lembra? Curso Comunicação Social, agora. Me formo jornalista daqui a alguns anos! Admito que boa parte do amor com que eu vou me dedicar ao trabalho com a escrita veio do amor que eu senti na senhora esses anos todos. A felicidade com que a senhora ensina, paciente e docemente, sempre com esse sorriso bonito intacto no rosto (será que tem um deles brincando nos seus olhos enquanto a senhora me lê?). Não existia mal humor meu, problemas grandes demais pra mim (que ainda sou tão pequena), frio, chuva, ou qualquer outro motivo pra ficar triste que aguentasse continuar em mim depois de ouvir o seu "Bom dia!". Não tem como não sorrir junto com a senhora, como não achar lindo o seu sotaque e o ser amor, pelos livros, pelas letras e, principalmente, pelos alunos. Não há quem resista à doçura com que a senhora conduz suas aulas, professora. Me enche de ânimo me lembrar que senhora nunca se cansou de ensinar. Que a senhora nunca desistiu de ninguém. A senhora é um anjo, Professora. E eu agradeço muito a sorte de ter tido a sua presença na minha vida.
Enfim. Melhor eu concluir logo. Isso era pra ser só um bilhete, e já está tomando o verso da página...! A senhora bem sabe do quanto eu me empolgo e esqueço de concluir... Muito obrigada outra vez, professora, pelos livros, pelos conselhos, pelas aulas e pelo imenso carinho. Eu a amo muito. Fernando Sabino vai me lembrar pra sempre a senhora, daqui pra frente. Sempre que a saudade, que só existe nessa nossa Língua bonita, doer muito aqui, eu te procuro nas entrelinhas de uma das crônicas deles. E se a senhora sentir a minha falta, pode ler essa carta outras tantas vezes. Tem tanto afeto nessas linhas que eu acho que não vai gastar.
Um abraço forte, de uma aluna eternamente marcada pelas suas lições,

Aline.


"[...]Com uma professora dessa, todos nós seríamos poetas!" 
Fernando Sabino - Página 36

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Uma carta escrita e guardada dentro de um dos livros que eu devolvi. Para melhor professora de Língua Portuguesa que eu já tive. 
Saudades, Professora Rute.

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