17 de agosto de 2010

Alma

É a primeira coisa que eu vejo todo dia. Abro os olhos e lá estão elas, me olhando de volta e sorrindo. Já estão ali há quase um ano. E só agora que eu escrevi é que eu me dei conta disso. Já faz quase um ano que o sorriso delas está ali todas as manhãs, mas elas não. Bom, mas esse tipo de coisa faz parte da vida, certo? Sempre soubemos que isso ia acontecer. Não deixei de ver nenhum daqueles sorrisos, embora agora os veja com menos frequência. Engraçado o número de pessoas que já entraram na minha vida, e que ainda assim não vão poder substituí-las de modo algum.  Eu sei que pode soar estranho, mas eu não sinto a falta delas do modo como achei que sentiria. Eu achei que ia perdê-las nessa separação. Só que não é isso que eu sinto, não agora, que finalmente aconteceu. Eu ainda me sinto perto delas, de um modo diferente, mas ainda assim junto. Eu não as perdi. São parte de mim, por mais clichê que isso possa soar. Eu sinto umas saudades do que já fizemos, tenho um coleções de lembranças intensas pra levar comigo. Estavam ao meu lado em alguns dos meus momentos mais marcantes. Souberam e sabem tudo de mim. Me leem com uma facilidade que eu nem tento mais definir. Então, todos os dias, quando eu abro os olhos e dou de cara com elas ali, emolduradas, sorrindo pra mim, eu  me lembro dos montes de planos que nós fizemos, e do quanto esses planos dependem só de nós agora. Cada uma foi pra um lado em busca do que quer pra si. Mas ainda somos nós. Mais maduras, mesmo que não estejamos mais altas. E isso me ajuda a continuar. Aquela foto, parada em cima do móvel, me sorri todos os dias me lembrando que a vida existe, que o mundo está lá fora, à nossa espera. E eu vejo a alegria dividida que foi registrada naquela imagem. Dá pra notar, nas entrelinhas da foto. O companheirismo e a amizade que é tão bonita e que tem daqui até a eternidade pra durar.
Os índios tinham medo de tirar fotos porque acreditavam que suas almas ficariam presas pra sempre na fotografia. E eu não duvido: quando eu olho pro porta retrato, é alma nossa que eu estou vendo.
-
A foto me sorri, e eu sorrio de volta.

5 comentários:

Erica Maria disse...

Menina, ando com saudades de vc!!

Lindo texto!

Sonia Pallone disse...

Boa noite Aline, estou aqui sob o efeito desordenado da
emoção que me trouxe as palavras tecidas e desenhadas, pela pena de um
coração poeta... Lindo texto querida.

Fran disse...

Chorei. =S
São sorrisos,lágrimas e saudades todas as vezes que olho para a minha moldura.O melhor presente de natal.
Um sorriso que cada uma doou à outra,e que nossa Laurinha emoldurou e tornou eterno.Não porque virou objeto,mas porque foi uma grande época das nossas vidas,até para mim que caí de paraquedas nos últimos 365 dias de ensino médio =D e por ser a intrusa mais bem aceita do mundo,afinal ser uma das Carrie's com 1 ano e uns meses de amizade é para quem pode! hehhe

Jéssica Fiaz disse...

A alma é feita de lembranças, então talvez seja verdade que a fotografia que é uma forma de lembrança prenda a nossa alma!

Felipe Braga disse...

Que bonito, Aline. Elas estarão sempre contigo. Menos na foto do que na alma e no coração.

Sua escrita é muito doce.

Beijos.

Postar um comentário

Anote aí.