25 de setembro de 2010

De tocar

Os olhos estão fechados, e os dedos que batem na mesa seguem o ritmo, tentando reproduzir os sons. A canção que toca nos fones toca também minha alma, e eu, ainda olhando pra dentro, me pergunto 'mas como?', encantada que fico, imagino a delícia que deve ser fazer música. Penso no quanto a música me atinge, e no tanto que eu queria te atingir. Eu queria escrever uma música que sempre que tocasse, te tocasse também. E que todo mundo que ouvisse, escutasse junto um pouco de você. E que usassem a minha música pra tocar quem mais fosse, que ela fosse citada e cantada por muitos e pra muitos, e que se espalhasse tanto que ninguém mais soubesse quem havia composto a canção, mas que todos de algum modo se sentissem também donos dela, de tão tocados que foram... Mas eu não sei fazer música, me perco nos ritmos, não sei sequer rimar, nessa língua ou em outra. Sorrio dessa ingênua pretensão de alcançar o mundo, e abro os olhos. O sorriso se perde. O mundo eu posso dispensar, mas ainda quero alcançar você. Mas como eu, sem saber fazer música, consigo isso...? Eu, que não toco violão, ou piano, ou guitarra, ou flauta, ou sanfona, ou bongô, como eu, que não toco nada, posso esperar te tocar...? E mil palavras me vêm, todas ao mesmo tempo, correndo e fazendo barulho em mim, e de tão agitadas me impedem de ouvir a música que continua nos fones. Abro um caderno, pego um lápis, pois a sensação é velha conhecida, e eu sei que só vai me deixar quando as palavras passarem de mim pro papel. E eu me ponho a escrever, a sensação tem um calor que é familiar e que me acolhe. E me vejo, como sempre, escrevendo sobre o que eu sinto, e o que sinto, como sempre, é você. As palavras vem cheias dessa ânsia de te alcançar. Preenchem o texto como se isso de algum modo te trouxesse pra perto. Então eu, que não sei fazer música, despejo palavras, tentando te tocar com elas. Deixo a música pros que sabem, e isso inclui você e os seus talentos todos. Deixo que as minhas palavras dancem presas ao papel, e cantem mudas na leitura. Eu, que não sei fazer música, não encontro outra forma de te tocar que não essa. Encho o silêncio com as letras, acomodo as frases e busco um sentido. Te escrevo sem rima e sem ritmo. Cheia de um amor, que canta em mim sempre que eu penso em você. Me contento em dançar entre os seus braços, ouvindo as muitas canções bonitas que já foram escritas. E em te abraçar ouvindo essa música, inédita e linda, que cresce em mim mesmo que eu não saiba exteriorizar. Essa música que você despertou, que eu não sei fazer jus e te contar, que me toca infinitamente mais do que qualquer outra. E que eu olho em volta e me dou conta de que ninguém mais está ouvindo, e que a musica toca em mim, comigo. E te abraço mais forte pra música falar mais alto.
Quando os nossos corações batem juntos, eu sei que você ouve a mesma música que eu.

(toma pra ti minhas palavras, querido. eu, que não sei fazer música, só posso esperar que te toque assim: com um 'eu te amo' em cada entrelinha)

4 comentários:

Gislãne disse...

é tão bom quando os corações batem no mesmo compasso.


lindo texto

:)

André disse...

Nao se precisa saber fazer música quando se é a música, meu anjo...!

música da minha vida =**

André disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE
ALINE

ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE CACHORRO, FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER Y CHOCOLATE.

José
Ramón...

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