17 de janeiro de 2011

trilhas;

O problema é que eu estou sempre munida dessa minha curiosidade infantil, e acabo sempre indo pra cada vez mais longe, passo por passo, só pra ver se me sinto menos perdida no lado de dentro da floresta. Eu continuo, pé ante pé, buscando uma saída pros meus próprios medos, como se a compensação das minhas falhas todas estivesse entre essas árvores, tão maiores que eu. E eu não recuo, por mais assustada que esteja. Vou deixando as minhas migalhas no caminho pra me assegurar do retorno. E caso eu ache uma casa de doces, eu sei que eu vou entrar. E que, uma vez lá dentro, vou ficar encantada demais pra sentir medo. E logo vou estar tão cheia de doces e de paz que eu não vou desconfiar de nada. E quando eu for ao jardim e vir os rostos tristes nos biscoitos em forma de gente, eu não vou me assustar e vou voltar pra dentro casa. Vou olhar através das janelas de açúcar, vendo a floresta por onde eu vim, acreditando que se eu quiser eu posso ir embora a qualquer momento. E aí eu vou decidir ficar mais um pouco, e vou dar as costas pra porta. Vou me perder do lado de dentro, confiando na trilha de volta pra segurança, feita de migalhas que os pássaros já comeram.

Um comentário:

Anônimo disse...

esse ficou bom pekena.

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