8 de abril de 2011

curvas.

O espelho me diz que falta você em cada pedaço de mim. A minha imagem refletida é estranha, como se me faltassem os óculos. As minhas curvas sentem sua falta. A curva do sorriso se mantém na promessa de um beijo. A do pescoço parece vazia sem teu rosto me fazendo travesseiro. E a da cintura, que é tão sua, se sente só sem o toque da sua mão. Eu me olho e não me encontro, e sei que de alguma forma eu acabei indo com você. E eu sei que mesmo sabendo onde você está, vou continuar te procurando nos detalhes do meu dia. E, surpreendentemente, vou continuar te encontrando. Em cada música que eu ouvir, em cada canto da minha casa onde você já esteve, em cada pessoa com nome igual ou sotaque parecido com um dos seus. Eu vou ver você sempre que olhar pras minhas mãos e me lembrar do quando elas parecem de brinquedo perto das suas. Do quanto eu, inteira, pareço menor ainda do seu lado. E de como, mesmo pequena, eu me sinto tão forte, gigante!, porque sei de você do meu lado . Vou fechar os olhos sempre que sentir a doçura do perfume que você me deu junto com seu carinho - e vai ser cheiro de afeto. Eu vou encontrar você sempre que eu procurar por mim. E continuar te achando mesmo sem procura, numa surpresa ou detalhe que traga de volta uma torrente das nossas histórias. A esperança faz com que meu sorriso se abra uma vez mais. Os lábios se curvaram de novo. E você sabe o que significa, não sabe? A curva dos meus lábios é um convite pra um beijo seu.

(Escrito com saudades e lábios curvados de esperança.)

...Na boca um beijo, 
e no abraço meu braço não sei qual é, 
a gente se misturando, feito o leite e café
que eu faço enquanto cê sonha,
enquanto volta do céu...
(Menina do Balaio - O Teatro Mágico)

Um comentário:

Anônimo disse...

...que demora de um texto novo.

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