31 de outubro de 2011

É fácil se acostumar. Sua presença soa natural, simples, familiar. Como se você sempre estivesse estado aqui. Como se nunca tivesse saído. Então é fácil se acostumar. Com o beijo de bom dia, com o abraço antes de dormir, com os cheiros e os tons. Com o toque e com as risadas. Muito fácil se encantar. Pela doçura de coisas muito simples, pelos detalhes que continuam em você, intactos, inteiros, intensos. Pela falsa irritação nas brincadeiras. Fácil enxergar. A graça das coisas que ficam, a pena das que foram embora, a beleza da prece que eu faço no fim do dia agradecendo e pedindo que as coisas continuem bem. É fácil perceber. Entender os motivos que me fizeram esperar. Tão claros que eu não entendo como alguém pôde ter alguma dúvida. Notar que pela primeira vez em tanto tempo o dia não se arrastou, nem passou correndo demais. As horas voltaram ao tempo certo. O dia voltou a andar direito. Um tic-tac por vez. Nenhum tic-tac pra trás. É fácil, então, perder. O medo de tropeçar. O embaraço de sentir que amo errado. Perder as sem-jeitices que me são próprias, deixar passar a necessidade de ser outra pessoa, de não cair, de não errar. É fácil me sentir segura. Para me assumir inteira e não pedaços, ou pedaços e não inteira, mas me assumir sempre. Quando a gente sente, fica fácil. Fácil parar de ficar procurando sentido, explicações, pro sentimento. Fácil parar de impor regras sobre regras, expectativas sobre expectativas, fácil deixar que o amor seja, por si só. Como for. Como vier. Amor. É fácil se acostumar.

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