6 de outubro de 2011

"Todas as cartas de amor são ridículas", e as minhas também foram, exatamente como tinham de ser. 'Foram', sim. Porque, ultimamente, elas não tem vindo. A caneta pesa entre meus dedos, as teclas emudecem com o meu toque. tudo sai soando bobo, pequeno, mal feito, mas não ridículo. Não como uma carta de amor deve ser. Então eu penso, com alguma tristeza, que talvez o tempo das minhas cartas tenha passado. Mas, veja: meu amor não precisa de cartas, quem precisa delas sou eu. E eu peco pelo excesso. Não de amor, mas de afirmações. Eu peco por voltar vezes infinitas para o mesmo assunto. Por não deixar nenhuma brecha sem jurar o meu amor. Sem declarar a beleza do que sinto (que é inegavelmente belo). Eu sinto que sufoco, mas ao mesmo tempo preciso dizer outra vez, e mais uma. Preciso dividir. Mas, repito: meu amor não precisa de palavra. Meu amor também floresce no silêncio.  Sou eu, pequena, errada, confusa, quem precisa. Dizer e ouvir. Dizer para ouvir. Contar a mim mesma do amor e me provocar um sorriso. Soa egoísta, não soa...? Mas não é, não de todo. Eu escrevo pra ele, claro. Mas escrever também é algo que faço por mim mesma. Para me assumir inteira. Plena. E agora, que as palavras secaram, a carência só aumenta. Porque eu sinto falta de escrever o meu amor, que continua aqui, intacto. E que o chamem de bobagem, de ilusão, de perda de tempo, eu ainda acredito na força dele. Por teimosia, tolice ou coragem, tanto faz, quem se importa?, é isso que eu sinto. É o que sou. Ache cansativo, enjoativo, pesado (ridículo), mas ainda é o que sou. Ainda é meu. A minha essência, se não era eterna, eu eternizo aqui. 
Por dentro, eu sou ridícula, como só uma carta de amor consegue ser.

Um comentário:

Anônimo disse...

que seja infinito enquanto dure. Não ousa tanto os outros pekena, é tudo repetição de um texto antigo.Mais antigo do que a frase sobre as cartas de amor serem ridículas. O seu texto é mais original.

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