27 de novembro de 2011

Reli esse texto hoje.
Me vejo descobrindo, quase com espanto, que 2011 foi um bom ano. Encarei-o com desconfiança todo o tempo, mas agora que ele está ali, perto da porta se preparando para ir embora, sou obrigada a reconhecer o quanto foi um ano importante. Não divertido, mas inegavelmente importante.

2011 ignorou meus protestos, meus choros, meus dramas. Esse ano me deixou sozinha para pensar, e eu pensei. E re-pensei. Re-pesei. Represei. 2011 mexeu sim em todas as minhas gavetas, mas hoje eu percebo, aliviada, que a bagunça teve propósito. Com todas as coisas espalhadas, eu fui forçada a encarrar o que tinha escondido. A decidir o que tornava a guardar e o que jogava fora. Organizei meus sentimentos, lembranças, sonhos, expectativas. No começo tentei me negar. Jogava tudo no armário e escondia. Mas 2011, impassível, apenas me derrubava de novo. Me obrigava a olhar pra bagunça toda outra vez. E eu gritei, chorei, fechei os olhos. Mil vezes eu tentei arrumar tudo e mil vezes ele tornou a bagunçar. Então eu desisti de tanto choro, de tanta raiva. Se é pra arrumar, que seja. Se é pra me erguer, me ergo. Se é pra encarar, encaro. Esse ano eu quis sumir. Quis pular etapas. Quis não ter que enfrentar. E 2011 não se importou com o que eu queria. Me deu rasteiras apenas para provar que eu podia levantar. Bagunçou tudo pra me mostrar que eu podia arrumar. Me deu tréguas, é verdade. Me trouxe gente importante. Mas não foi gentil. 2011 me derrubou bem mais que uma vez e não ligou pras minhas lágrimas. Ainda bem. Só assim eu consegui enxergar o que é mesmo importante pra mim. Consegui perceber quem eu quero que fique na minha vida e quem eu não me importo que vá. Descobrir o que eu realmente sinto.

Reaprendi a rir dos meus infortúnios. A esperar o melhor mesmo depois da queda. Sorri de novo, e agora, acredite, me sinto mais leve. Parece que esse ano me fez enfrentar tanta coisa que eu saio dele mais forte. 2011 tá olhando pras gavetas de novo, como que decidindo se eu ainda preciso arrumar alguma coisa. Tem um jeito de missão cumprida brincando no meio-sorriso dele.

Eu personifico os anos. Dou a eles rostos, modos e personalidade de acordo com o que me acontece. Eu sempre tento olhar a porta de entrada, tentando adivinhar que cara vai ter o ano que chega. Tento ver pela fechadura se o ano vai ter pressa, se vai ser leve, se vem cheio de promessa ou de medo. E dessa vez não quero. Não sinto vontade de entrever o próximo ano. Me limito a continuar aqui, experimentando finalmente uma calmaria real em 2011. Só fico, observo o ano terminar de passar. Sorrio para ele e ele me devolve um sorriso cansado, se preparando para ir pra onde os anos vão quando terminam.  Olho brevemente para a porta de entrada.
Que venha, 2012. Seja bem vindo. Te recebo de sorriso e peito abertos.
Que seja como for.


"Se carece de definição, me sinto leve.
Céu azul na bolha de sabão, que o vento leve

como folha o coração"
(Leve - Jorge Vercillo)

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