9 de dezembro de 2011

02/12/2011

Eu gostei de você logo de cara. É difícil não gostar, aliás. Difícil ouvir a sua risada a metros de distância sem imediatamente decidir que quer rir junto, que quer descobrir o motivo do riso, que quer dar novos motivos pra rir. A sua paciência e a sua falta de paciência são coisa encantadoras no mesmo nível. Porque você é delicadamente sutil quando percebe o quão sério é o problema. E decididamente direta quando vê que é mais drama que dor. É incrível como você transita fácil pelos extremos. Incrível como a sua voz é capaz acalmar com um sussurro ou com um grito. Mas não de ferir. Eu nunca te ouvi ferir ninguém, sabe? Nem mesmo quando a sua voz se eleva. Nem mesmo quando os palavrões se metem no meio das palavras. Quando você perde a paciência, você só diz o necessário pra que gente acorde e perceba onde está errando. Só o suficiente. Mesmo no seu grito eu sou capaz de encontrar abrigo. Porque eu confio em você mais do que quero admitir. Mas não acho que precise, de qualquer forma. Você sabe, ou pelo menos devia saber.  Porque quando eu digo que não fiz grandes amigos ali, eu lembro de você e me censuro. Porque você é minha amiga. Eu te procuro para dizer da felicidade e do choro, principalmente porque você entende. Sempre entende, mesmo quando eu não disse tudo. Mesmo que eu diga só metade, você intui o resto. Decide se eu mereço um abraço ou um xingamento - e sempre acerta. É que você é muito sensível. Não do tipo sensível manteiga-derretida, não do tipo que chora vendo "A Lagoa Azul". Isso não combina com você, com seu jeito forte e direto. Você é sensível do tipo que sente as pessoas e o mundo a sua volta. Do tipo que sente um mundo inteiro dentro de si. Sensível do jeito que sabe o tanto que sentimento é importante, o tanto que a gente precisa uns dos outros nessa vida. Sensível do tipo que percebe. E eu gosto tanto de você, querida, que nem digo. Porque é tanto querer-bem que não carece de palavra nenhuma. Da nossa amizade a gente sabe através dos livros trocados. Dos 'hoje você está melhor?' que você me diz com preocupação genuína. Das risadas intermináveis, dos incentivos, dos convites, dos abraços. Do silêncio cômodo entre duas pessoas que se conhecem sem precisar se apresentar.
Sei que você está mais acostumada com as minhas palavras costuradas uma na outra pra te fazer rir, assim como eu estou acostumada com a sua gargalhada. Sei que nunca sequer ameacei dizer nada desse tipo. Mas é seu aniversário, e tem coisas que a gente precisa dizer uma hora. Então, que seja essa. Que fique aqui guardado, seguro, o tanto que gosto de você.
A gente ainda tem muito pela frente, pode esperar. Vou estar na primeira fila quando o primeiro filme que você dirigir passar nos cinemas. 

<3

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Anote aí.