18 de dezembro de 2011

alguma coisa acontece no meu coração.

Eu gosto daqui. Porque mesmo sendo tão cinza, essa cidade ainda tem luz. Tem cor, e muita, se você souber procurar. A maioria não sabe. A maioria prefere desviar dos artistas de rua e empurrar os mímicos para não perder nenhum minuto do precioso tempo. É irônico. Aqui, no centro, as pessoas estão sempre com pressa. Sempre dizendo do tanto que tempo é importante, sem se dar conta de que se trata justamente disso: o tempo é muito importante pra que a gente corra tanto. A vida passa depressa demais pra que se perca os minutos correndo com os olhos no relógio. Eu tenho vontade de parar um por um na rua, no metrô, nas lojas, e dizer: moço, respira fundo, trate de viver. Essa cidade tem tanto. E é tão bonita, vista do alto ou do chão. Eu me pergunto se essas pessoas correndo, dentro de gravatas ou no alto de sapatos bonitos, sabem daquela esquina onde a estátua de poeta sorri pra todas as crianças e moedas. Se eles conhecem só as vitrines ou se conseguem enxergar o repentista entregando panfletos na porta do restaurante. Se sabem que bem ali do lado, dentro do prédio escuro, tem uma loja de artesanato. Se, assim como eu, se pegam olhando a arquitetura dos prédios e se perguntando como e quando foram feitos. Eu gosto muito do que estou descobrindo aqui. Dos pedacinhos de beleza que eu encontro por acaso. Do restaurante que tem comida simples, música boa e gente de todo tipo sorrindo. Gosto da praça onde os índios tocam flauta andina. Do MAM, dos MASP, do CCBB. Do Parque do Ibirapuera. Da Avenida Paulista, da Rua Direita, do Páteo do Colégio, do Largo São Bento. Gosto das pessoas tirando foto no marco zero na Praça da Sé. Eu sorrio junto com essa gente, porque penso que é pela minha cidade que eles estão se encantando. Que eu tenho sorte de estar aqui. Acho de um desperdício tremendo essa gente passando com a cara fechada e o relógio pesando quando tem tenta coisa bonita pra olhar. Achando que a única coisa que essa cidade tem é trabalho. Correndo, porque os minutos passam muito depressa. E sem perceber que o mesmo minuto dura mais quando você está ouvindo um artista de rua tocar saxofone. Quando está olhando um moço tocar violão e vê quando um outro chega perto, tocando gaita pra acompanhar. E sorrindo quando percebe que eles não estão querendo moedas, que não há nenhuma caneca estendida. Só estão aproveitando o dia. Os minutos. Um por um. São Paulo tem disso também. De gente disposta a viver.
As cidades, eu acho, são muito parecidas com as pessoas. Problemas e encantos dividindo espaço. Eu não ignoro os problemas, veja bem. Eu me importo. Eu tento. Mas é que eu prefiro encher a alma com a beleza das coisas. É ela, a beleza, quem me ajuda a lutar. A continuar acreditando e, por isso, sorrindo.
Isso serve pros lugares e pras pessoas.

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