6 de abril de 2012

todo o azul do mar.

eu não brigo com o mar e seu ir e vir incansável. eu nunca sei o que ele vai trazer. se vem mostrar um tesouro ou se vem guardar um segredo. e, sem saber se é calmaria ou tempestade, me entrego. deixo que a onda me beije ou me derrube, mas deixo. escolhi aceitar o mar. não é justo esperar que algo tão imenso, tão rico, tão lindo, se deixe ficar. não se transforma mar em lagoa. não é justo conter um mar... que vem e vai porque é de sua natureza. porque o mar é parte de um todo muito maior que a praia. que sabe dos peixes e dos corais e das ilhas e céus que ainda não viu. e eu, que sou de raízes no lugar das asas, lanço as minhas ao solo, ainda que seja feito de areia. finco os meus pés na praia, o mais perto possível do mar. que vem e quando vai leva um pouco do meu chão. leva um pouco de mim consigo. e eu sorrio pensando que agora as minhas raízes estão no mar também.
"mera distração e já era momento de se gostar."

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dos rascunhos guardados.

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