3 de julho de 2012

zumbilândia

são zumbis. essa massa uniforme que não pensa, apenas se move. como um único organismo. eu olho daqui da plataforma e eu vejo. é uma manada. ninguém pensa, ninguém sente, mas todos continuam andando. correndo. fazendo esse barulho que a mesmo tempo é e deixa de ser humano. todos os dias, se arrastam de suas camas para seus carros, para os trens, para as ruas. andando como que sem entender bem o propósito. apenas sabem que precisam se levantar e ir todos os dias se arrastando pela rotina. mortos. condenados. incapazes de se libertar. eu olho daqui e tenho medo. medo de que, andando tanto tempo entre eles, eu acabe me tornando igual. que, aos poucos, também deixe de lado a gentileza, a educação, o bom senso. e comece apenas a caminhar sem propósito. me arrastando e andando e seguindo sem estar viva de fato. eu tenho medo, sim. de me tornar um desses zumbis que perseguem, quase sempre com insucesso, não os cérebros, mas o lucro. seguindo uma rotina mortificante que esmaga tudo que se é, apenas para continuar com seu dinheiro garantido no final do período. sabendo, também, que sem garantir o lucro não é possível continuar o caminho. a minha única esperança, andando entre esses que já não sentem, é que eles todos revivem nos fins de semana. sorriem e cantam e comem e - sim - sentem. mas na segunda seguinte já estão todos aqui. empurrando uns aos outros pra andar meio passo por vez. sem sorrir sem pensar sem nada. de novo a massa o uniforme. de novo transformados em zumbis. e eu aqui, com medo. cercada por eles. falta muito pro antídoto?
Estação Sé - Metrô de São Paulo

2 comentários:

Amanda Rodrigues disse...

Deu nervoso só de olhar a foto.

Maria Fernanda disse...

Gente, seria eu já quase um Zumbi?
PER-FEI-TA a metáfora.

Beijo Aline!

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